Diferentes posicionamentos dentro da União Europeia - U.E – Gerações










 

Camilo Cogiro - Brasil

Moisés Manzano Montes - Espanha


( NÃO REVISADO)

   A construção da União Europeia começou como um projeto post segunda guerra mundial de estabelecer uma resiliência econômica e financeira suficiente para emancipar-se dos antigos ódios históricos. Foi uma época onde o BENELUX (Bélgica, Holanda e Luxemburgo iniciaram um caminho europeu, onde o resto de nações nela EU se embarcaram. A Aliança franco-germana foi, sem dúvidas inspiradora e atraente para o resto de países, que viram uma oportunidade de construção conjunta sob um regionalismo capaz de competir no novo plano mundial globalizado.

   Antes da década de 1990 já se pensava em tratados de livre circulação de pessoas, de comércio único com leis que fossem continentais. Tratados de economia e defesa interna passaram a ser assuntos comunitários dos países que em 1993, após vários acordos multilaterais, chegaram a estabelecer a União Europeia. O raciocínio detrás poderia se explicar como uma evolução com três etapas: fortalecimento dos laços econômicos para conseguir interdependência comercial e financeira; institucionalização política; socialização do povo europeu. De fato, ainda antes da adoção da moeda única, já se tramava um fortalecimento do continente com a implementação de outras medidas que uniam forças entre economias industrializadas (umas mais, outras menos), com uma renda per capita acima da média global e índice de desenvolvimento humano elevado – IDH. Chegou a falar-se no seno da União inclusive duma criação dum exército europeu além de ser uma cooperação militar, entre outras discussões internas que de algum jeito tratam de equilibrar a competição de soberanias nacionais versus supranacionais. De fato, são também precisamente estas vozes críticas as que apresentam riscos na longevidade da U.E, como foi o caso do Brexit.

   Seguindo com essa fase de institucionalização, foi criado o parlamento que representa a União entre os países membros da U.E. Houve várias emendas que cada país aderiu como determinou os critérios dos mecanismos políticos interno/externo. O Parlamento continua sendo cada vez mais uma melhor fonte de democratização, além de outras instituições governativas como a Comissão ou a Comissão Europeia, que conforma uma complexa rede de balanço político.

   Após a adoção da moeda única na Europa, gerida por um banco central também europeu, o BCE, o continente teve grande ascensão infra estrutural, com uma moeda forte, e várias agencias Europeias de investimento e injeção de capital tratando de equilibrar o melhor possível jeito as necessidades dos países, sobretudo quando discrepam do norte a sul (como foi o caso das políticas da austeridade que tinham afetadas diferentemente no território europeu. Nasceu assim o termo econômico PIGS para diferenciar alguns países que particularmente se desmarcaram das tendências base na economia europeia nesse período (Portugal, Irlanda, Grécia e a Espanha).

  Na terceira fase de socialização europeia, a U.E também trabalhou na defesa dos direitos mais pessoais para os cidadãos. Por exemplo, as fronteiras tornaram-se mais físicas e culturais do que políticas. Segundo relatos de próprios europeus, antes da U.E ficavam horas em fronteiras e aeroportos para viajarem para outros países da Europa. No cenário de seguridade físico-social hoje, os cidadãos europeus têm direito ao Cartão de Saúde da U.E e podem receber cuidados médicos em todo o bloco, assim como abrir empresas em outros países da comunidade Europeia.

  Uma hipótese discutida poderia ser que o que houve foi uma grande diferença de expectativas entre gerações. Enquanto os mais velhos carregam um sentido nacionalista pós-ditaduras que assolaram a Europa, com um posicionamento histórico de ser Europeu, sim, mas dentro de um país que tem sua história individual, que tinha sua moeda e seu modo de vida e após a U.E tudo mudou rapidamente. Os jovens bem mais globalizados, numa era em que as comunicações não têm limites e aceleram qualquer tipo de informação. Os jovens se reconhecendo cada vez mais como Europeus de um modo geral, com uma nacionalidade que está inserida no contexto do bloco Europeu. Tanto econômico, político, e principalmente (até mesmo pela proximidade entre os países e excelentes redes de transporte) da circulação livre entre os países membros. Vive-se uma dualidade, jovens globalizados, poliglotas, mais “multinacionais”, cosmopolitas e com uma vontade de interagir com outros países.

  E os mais velhos, das gerações antes U.E fazendo o balanceamento, defendendo as políticas nacionais, também usufruindo dos benefícios da união mas com o papel de ensinar história cultural e tradição familiar para os mais novos.

  No entanto, cada país dentro da EU tem particularidades diferentes que poderiam alterar esta explicação. Por exemplo, algumas pesquisas provaram que os votantes dos partidos anti europeus são suportados bastante por jovens. Eles caem nos discursos extremistas que nostalgicamente olham um passado protecionista, enquanto as gerações mais velhas conhecem os riscos duma Europa desmembrada, competitiva e fora do caminho do progresso, respeito, defesa das minorias. Atualmente quase todos os países têm esta dualidade que mina e desacelera o diálogo construtivo para resolver os problemas (Orban na Hungria, Le Pen em França, Salvini em Itália ou Abascal em Espanha).

   Em definitiva, o que se pretende é a construção dum Estado do Bem-estar gerido por uma União consciente do balo entre tolerância cultural das nações e construção duma sociedade europeia unida.

   É um bom exemplo de convergência, onde repúblicas, repúblicas parlamentaristas e monarquias convivem bem e se ajudam sem perder suas identidades nacionais


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