Dia mundial da Saúde Mental - 10 de outubro
(Rafael Ávila)
(Moisés Manzano)
Adaptação - (Camilo Cogiro)
No dia 10 de outubro é celebrado o Dia Mundial da Saúde Mental. Nesta data em especial se fixam ações governamentais e sociais voltadas à promoção da saúde mental. Para este ano, a OMS definiu a campanha para ‘Move for mental health: let’s invest’ (‘Mova para a saúde mental: vamos investir’, em tradução simples) que tem como objetivo incentivar a ação pública em todo o mundo. O UTOPIA BR no intuito de corroborar com a luta em prol da acessibilidade de informações fidedignas e expandir o amplo acesso à saúde mental da comunidade, apresenta em concomitância sua campanha de Saúde Mental neste ano de 2022.
O objetivo da campanha do dia 10 de outubro e promover a conscientização e lançar um apelo à ação para proteger as populações em risco, pois, em um mundo cada vez mais polarizado, com ricos se tornando mais ricos e o número de pessoas vivendo na pobreza ainda muito alto, evidencia que o acesso aos serviços de saúde mental continua desigual.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 1947), “saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. Sendo assim, a promoção da saúde mental passa pela compreensão de que a estabilidade emocional é tão importante quanto à física. O equilíbrio das funções do organismo está associado à perspectiva biológica e psicológica. Por isso, a adoção de hábitos saudáveis afeta tanto o bem-estar do corpo, quanto o da mente.
Estigma, discriminação e violações de direitos humanos contra pessoas com problemas de saúde mental são comuns em comunidades e sistemas de atenção em todos os lugares. Os transtornos mentais, em geral resultam da soma dos fatores biopsicossocial (Engel, 1977, 1980) Biológico (A idade e o sexo estão associados com Transtornos Mentais e Comportamentais) psicológicos (Existem também fatores psicológicos individuais que se relacionam com a manifestação de Transtornos Mentais e Comportamentais) e os fatores sociais (a urbanização e a pobreza com o desenvolvimento de Transtornos Mentais e Comportamentais).
No Brasil, temos a Constituição Federal de 1988 (Conhecida como Constituição Cidadã), que diz em seu artigo 196: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.” Garantindo o acesso a saúde mental, como direito a todos os brasileiros. A saúde mental deixa de ser um conceito abstrato e passa a ser inserida dentro de um contexto histórico, em desenvolvimento e é uma conquista dos sujeitos.
Em junho de 2022, a OMS divulgou um arcabouço teórico fornecendo um plano para governos, profissionais de saúde, sociedade civil e outros com a ambição de apoiar o mundo na transformação da saúde mental. Estima-se que em 2019 quase um bilhão de pessoas – viviam com um transtorno mental. Sendo o suicídio responsável por mais de uma em cada 100 mortes e 58% dos suicídios ocorreram antes dos 50 anos de idade.
No Brasil, uma pesquisa realizada pela UERJ revela que casos de depressão dobraram no período de quarentena e que ocorrências de quadros ansiosos e estresse tiveram aumento de 80%, provocados pelo novo Coronavírus e as mudanças impostas pelo isolamento social. Além disso, estudos produzidos por diferentes tipos de instituições sociais em vários países concluíram que, com a pandemia do COVID-19, antigas necessidades da Saúde Mental viraram ‘emergências públicas’.
Um marco em favor da mudança dos modelos de atenção e gestão nas práticas de saúde mental, fora a Reforma Psiquiátrica. Esta se caracteriza por ser um processo político e social complexo, composto de atores, instituições e forças de diferentes origens, e que incide em territórios diversos, nos governos federal, estadual e municipal, nas universidades, no mercado dos serviços de saúde, nos conselhos profissionais, nas associações de pessoas com transtornos mentais e de seus familiares, nos movimentos sociais, e nos territórios do imaginário social e da opinião pública.
O Sistema Único de Saúde (SUS) dispõe de atendimento para pessoas em sofrimento psíquico por meio dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial. A Atenção Primária à Saúde é a porta de entrada para o cuidado e vem desempenhando papel fundamental na abordagem dos Transtornos Mentais, principalmente os leves e moderados,
não só por sua abrangência, como também por conhecer a população e o território, dispondo de melhores condições para apoiar o cuidado.
Diferentes níveis de complexidade compõem o cuidado, sendo os CAPS - Centro de Atenção Psicossocial, em suas diferentes modalidades, pontos de atenção estratégicos da RAPS. Serviços de saúde de caráter aberto e comunitário, constituído por equipe multiprofissional e que atua sobre a ótica interdisciplinar, podem ser encontrados.
Sem dúvida ter saúde mental é algo essencial e indispensável para que você possa afirmar categoricamente que goza de saúde plena e completa, e isso vai muito além da ausência de transtornos ou deficiências físicas.
Sendo assim, o plano de atuação parece claro: prevenção, prevenção e mais prevenção. A redução de contextos hostis é crucial para evitar o problema ANTES da sua aparição. Isto significa que a detecção daqueles que podem potencialmente ter algum tipo de sofrimento mental é a primeira linha na guerra contra as doenças mentais e suas consequências. De que maneira é que a gente pode fazer isso? Educando com inteligência emocional, visibilizando as problemáticas, expondo as consequências da inação. Mas também, além disso, com o fomento do investimento nas políticas de fortalecimento das relações sociais, favorecendo uma atuação acertada no mundo empresarial, construindo uma sociedade amigável com as necessidades de conforto mental. Tudo isso, pode ter por alicerce, a base teórica focada na Psicologia Positiva com a criação do Capital Social e estímulo da Resiliência. Daí se extraem algumas hipóteses: O fato de que quanto mais as sociedades forem inter relacionadas com trocas dinâmicas mais presentes, ou seja, com um maior número de conexões sociais, maiores serão as ferramentas de apoio mútuo que ajudarão a escapar dos sentimentos negativos associados ao isolamento. Isso também poderia resultar em um mundo mais altruísta, onde as pessoas enxergam mais as necessidades dos outros.

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